Num reduto da freguesia
Encontro-o muito carente.
Estou com fome de amor
E você me chama docemente.
Conversa vai... Conversa vem...
Você pega minha mão,
Sinto um tremor por dentro.
Vai acumulando a emoção.
Suas mãos me percorrem e eu consinto.
Está escuro, há música, mais você está mudo.
Por baixo da mesa começa tudo,
Ninguém percebe, mas eu sinto.
Suas mãos vão subindo... Subindo...
Até chegar á minha flor.
Brinca, passeia e eu me abrindo.
Fico desconcertada e sorrindo.
Você continua com as mãos precisas.
Tomo mais uma taça de vinho
Fico mais leve, mais solta... Indecisa...
Nem percebo a presença do vizinho.
Enquanto os outros dançam a meia-luz,
Você me beija ofegante. Estamos enlaçados.
No escurinho, você me conduz.
Ficamos ali a nos amar disfarçados.
Fazemos um gostoso amor:
Suas mãos atrevidas e eu.
Arrepio-me, sinto calafrios e digo feliz:
-Realizei-me!
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